Tratamento com células-tronco estuda a cura da degeneração macular

cura da degeneração macular

Você reparou a foto que ilustra este post? Ela simula a visão de alguém que sofre degeneração macular, uma doença degenerativa da retina que causa perda progressiva da visão e possui tratamentos que somente auxiliam no controle da doença. Entretanto, na Inglaterra uma técnica pioneira que utiliza células-tronco embrionárias está em teste, com o objetivo de encontrar a cura da degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e restabelecer a função visual dos pacientes.



No tratamento experimental, uma mulher de 60 anos foi submetida a um transplante de células da retina derivadas de células-tronco embrionárias, as quais possuem capacidade de diferenciação em células de diversos tecidos adultos. As novas células da retina foram implantadas via ocular, em uma cirurgia que durou cerca de duas horas, utilizando uma espécie de “curativo” criado especialmente para esse tipo de procedimento.
O processo, realizado em setembro de 2015, foi o primeiro transplante bem sucedido do estudo, que vai recrutar 10 pacientes em 18 meses de duração. O foco dos tratamentos experimentais é encontrar a cura para a DMRI úmida, também denominada neovascularização de coróide, neovascularização sub-retiniana, ou degeneração exsudativa ou disciforme.

Diferenças entre degeneração macular úmida e degeneração macular seca

Enquanto a DMRI úmida é o tipo mais agressivo, causando perda súbita da visão e atingindo cerca de 10% dos portadores da doença, a DMRI seca atinge cerca de 90% dos portadores, e leva a uma perda gradual da visão central ao longo dos anos.
Aquele embaçamento que atrapalha a visão quando a idade chega, que muitos dizem ser “coisa da idade”, é um dos mais claros sintomas da DMRI seca. Seu agravamento dificulta cada vez mais o reconhecimento de rostos e o alcance de longe. Acima dos 50 anos, a doença é apontada como a principal causa de cegueira e, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, estima-se que 2,9 milhões de pessoas com mais de 65 anos sofram com esse mal no Brasil.

Diagnóstico e comportamento de risco

Exames como mapeamento de retina (retinografia), fundoscopia ou biomicroscopia de fundo de olho, feitos por um oftalmologista, são as principais formas de detectar a degeneração macular. A comprovação do tipo mais grave da doença é feita posteriormente, pelos exames de angiografia fluoresceínica ou tomografia de coerência óptica.
Um teste que pode ser feito agora mesmo é a Tela de Amsler. Para fazê-lo, basta colocar seus óculos para ver de perto (se usá-los) e tapar um olho com a mão, olhando com o outro para o desenho abaixo. Depois, inverta o olho tapado.
tela de amsler
A Tela de Amsler consiste numa grade de quadrados com um ponto quadrado bem ao meio. Quem sofre de degeneração macular verá a grade distorcida ou mesmo manchas na área central da grade, semelhante à imagem do bebê acima. Se este for seu caso, é preciso consultar um oftalmologista o quanto antes.
Tem maior risco de apresentar e desenvolver a degeneração macular os indivíduos com predisposição genética, pessoas com olhos claros e histórico familiar. Outros fatores de risco envolvem o tabagismo ativo e passivo, o convívio com luz solar intensa e frequente, doença cardiovascular, hipertensão arterial, baixo consumo de frutas, verduras e zinco, obesidade e ingestão excessiva de gorduras.

Degeneração macular tem cura?

Até hoje, nenhum procedimento ou medicamento conseguiu curar a degeneração macular em definitivo. O objetivo do diagnóstico precoce é prevenir o desenvolvimento da doença, o que é feito a base de diversas terapias, como a fotodinâmica, que consiste na aplicação local de raios laser.
Outra alternativa, principalmente para os casos mais graves, é a injeção intra-ocular de agentes anti-angiogênicos, mas também exige uma mudança de hábitos, como alimentação balanceada, com baixo teor de gordura, controle intensivo da pressão arterial e abandono do cigarro, no caso de fumantes.