Semana de conscientização sobre os linfomas alerta sobre a gravidade da doença

 Os linfomas são um tipo de câncer com estatísticas em crescimento e que ataca diretamente o sistema imunológico. Os linfomas foram descritos pela primeira vez em 1839, pelo médico inglês Thomas Hodgkin, e se apresentam em mais de 40 subtipos. Em geral, são classificados em dois grandes grupos: os linfomas de Hodgkin e não-Hodgkin, porém diferenciam-se pela linhagem das células e por alterações em nível molecular.
No Brasil, a doença ficou conhecida após o diagnóstico de personalidades como a atual presidente Dilma Roussef (2009), na época ministra-chefe da Casa Civil, além dos atores globais Drica Moraes (2010) e Reinaldo Gianecchini (2011). Em 2013, a doença foi retratada na novela Amor à Vida, através do drama da personagem Nicole, vivida por Marina Ruy Barbosa.
Conforme estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para 2014, a previsão é de 11.970 novas ocorrências. Considerando o tipo não-Hodgkin, o mais prevalente, o total deverá ser de 9.790 casos. Há 5 anos, em 2009, foram diagnosticados apenas 2.870 casos no país, o que comprova um crescimento muito expressivo dessa doença.  A faixa etária de maior incidência está concentrada entre os 25 e 30 anos de idade, porém os linfomas são comuns também na infância.
Segundo a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE) e a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), apesar de agressivo, o linfoma de Hodgkin é altamente curável. Pacientes diagnosticados com a doença têm entre 70% a 90% chances de cura, inclusive nos casos avançados.
De acordo com o portal Oncoguia, os principais métodos disponíveis para tratamento são: genética (para identificar alterações ou mutações de genes específicos), quimioterapia, transplante de medula óssea e de células-tronco, terapias-alvo, anticorpos monoclonais e vacinas (ainda em fase de ensaios clínicos).
O Movimento contra o Linfoma foi lançado em 15 de setembro de 2010, no dia Mundial de Conscientização sobre os linfomas, com o objetivo de disseminar a importância do diagnóstico precoce da doença, sendo criado pela ABRALE.
 
Transplante com células-tronco
Na entrevista a seguir, o médico hematologista da equipe científica do Hemocord e do Grupo Hospitalar Santa Casa, Dário de Lima Brum, fala sobre as possibilidades de uso das células-tronco para o tratamento da doença.
 

  1. Por que é possível utilizar as células-tronco no tratamento de linfomas?

O fundamento em utilizar células-tronco no tratamento de doenças hematológicas, como os linfomas e leucemias, está baseado no fato de que as células sanguíneos maduras que circulam em nosso organismo provêm de uma única célula denominada de progenitora, células-tronco hematopoiéticas ou stem cells. Essas células podem ser obtidas por fontes diferentes, como da medula óssea, a partir do sangue periférico ou do sangue de cordão umbilical. Quando infundidas no receptor, se implantarão na medula óssea e iniciarão a reconstituição do tecido hematopoiético livre de doença.

  1. Em que fase elas podem ser aplicadas?

A indicação do transplante dependerá do tipo e estadiamento da doença bem como da idade do paciente, que deverá estar com a doença controlada, preferencialmente. Os critérios estabelecidos para transplante são definidos a partir de protocolos aprovados por comitês de ética.
O tratamento  para os linfomas consiste em quimioterapia associada ou não à radioterapia e/ou à imunoterapia. Para alguns pacientes, em que o tratamento com medicamentos não determinou a cura ou a remissão prolongada, pode ser necessário o transplante com células progenitoras hematopoiéticas.

  1. Como funciona a infusão/aplicação?

A infusão é muito similar à transfusão de sangue, em que a suspensão das células-tronco é infundida na veia do paciente. É um processo que normalmente pode levar em torno de 1 hora. Alguns pacientes podem apresentar efeitos colaterais, os quais são tratados e rapidamente resolvidos.

  1. Quais os tipos mais comuns de linfomas?

Os linfomas são um grupo de doenças que têm a sua origem nas células do sistema  linfático. O linfoma é o câncer que surge quando uma célula do sistema linfático normal se transforma em uma célula maligna que cresce de forma descontrolada. Há dois grandes grupos de linfomas: os linfomas de Hodgkin e os linfomas não-Hodgkin, sendo o segundo grupo mais frequente, ocorrendo em qualquer idade.