Células-tronco: quais os tipos estão presentes no cordão umbilical e na medula óssea?

Você sabia que, além da medula óssea, as células-tronco hematopoiéticas (CTHs) e células-tronco mesenquimais (CTMs) estão presentes em tecidos fetais e neonatais? As CTHs podem ser obtidas a partir do sangue do cordão umbilical, e as CTMs podem ser obtidas em pequena quantidade a partir do sangue do cordão, e em maior quantidade a partir do tecido do cordão umbilical.
As CTHs são capazes de se auto-renovarem por longos períodos de tempo, e são responsáveis pela hematopoiese, ou seja, dão origem a todas as células maduras e diferenciadas do sangue, durante toda a vida de um indivíduo. Por esse motivo, é possível utilizar as células-tronco hematopoiéticas para o tratamento de diversas doenças hematológicas e oncológicas, incluindo tumores sólidos comuns na infância.
As células-tronco mesenquimais são células não-hematopoiéticas com capacidade de se auto-renovarem por longos períodos de tempo, e possuem diversas funções biológicas importantes, entre elas o potencial de diferenciação em células dos tecidos ósseo, cartilaginoso e adiposo. Originalmente identificadas no estroma – tecido conjuntivo, de suporte – da medula óssea, as CTMs associadas às CTHs da medula óssea exercem efeitos essenciais para a hematopoiese. Além disso, as células-tronco mesenquimais repõem células maduras da medula óssea, se diferenciando em osteoblastos (células que formam o tecido ósseo), adipócitos (células que armazenam gordura) e nas células que compõem o estroma de suporte da hematopoiese. Segundo a biomédica e pesquisadora do Hemocord, Pamela Bagatini, com o passar do tempo as CTMs foram identificadas em diversos tecidos fetais/neonatais e adultos, entre eles o do cordão umbilical e o tecido adiposo, considerados fontes ricas em células-tronco mesenquimais.
Comparadas às CTMs da medula óssea ou do tecido adiposo de adultos, as do tecido do cordão umbilical possuem propriedades biológicas superiores, que incluem maior tempo de vida e capacidade proliferativa, além de maior potencial de diferenciação. Além disso, o cordão umbilical é um tecido fetal/neonatal com baixa probabilidade de exposição a fatores ambientais prejudiciais, diferentemente da medula óssea ou do tecido adiposo de um indivíduo adulto.
Conforme a biomédica, estudos sugerem que diferentes doenças e lesões poderão ser tratadas futuramente com as células-tronco mesenquimais do tecido do cordão, visto que essas células são capazes de criar um microambiente pró-regenerativo no tecido/órgão que sofreu lesão, desenvolver atividades imunorregulatórias e apresentar potencial de diferenciação em células maduras e funcionalmente especializadas. “As aplicações terapêuticas das CTMs do tecido do cordão umbilical estão sendo avaliadas em diversas doenças e condições, entre elas diabetes, cardiopatias, artrite reumatóide, lesão da medula espinal, esclerose múltipla e doenças respiratórias”, destaca a pesquisadora.
 
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