Células-tronco e engenharia de tecidos para tratar a síndrome do intestino curto

A síndrome do intestino curto é uma condição em que o intestino delgado é disfuncional ou atipicamente curto, o que significa que ele é incapaz de realizar sua função de absorver água e nutrientes. Os casos mais graves podem exigir transplante, mas os órgãos de doadores são escassos e o procedimento pode levar a complicações. 

A União Européia tem financiado um projeto chamado INTENS que dedica esforços a desenvolver crescimento artificial do intestino delgado – pesquisa que pode levar a um tratamento potencial para a Síndrome do intestino curto no futuro. Para isso, os pesquisadores usam células-tronco e tecido do próprio paciente para cultivar organóides – grupos de células que se assemelham a órgãos e funcionam de maneiras semelhantes.

O que isso significa para os pacientes?

Dois estudos chave já comprovaram a possibilidade de projetar o tecido intestinal laboratorialmente para tratar a síndrome do intestino curto. As semelhanças entre o intestino delgado e do cólon abrem a possibilidade de que o tecido do cólon possa ser usado em crianças que perderam todo o intestino delgado, por exemplo. Os avanços na tecnologia organoide estão, aos poucos, conduzindo aos próximos estágios de pesquisa necessários para estabelecer um tratamento seguro e eficaz que possa ser disponibilizado.

Fontes consultadas:

EuroStemCell. Progress towards engineering tissue to treat Short Bowel Syndrome. Disponível em:  > https://www.eurostemcell.org/progress-towards-engineering-tissue-treat-short-bowel-syndrome <

Meran, L., Massie, I., Campinoti, S. et al. Engineering transplantable jejunal mucosal grafts using patient-derived organoids from children with intestinal failure. Nat Med 26, 1593–1601 (2020). Disponível em: > https://www.nature.com/articles/s41591-020-1024-z <

Nikolaev, M., Mitrofanova, O., Broguiere, N. et al. Homeostatic mini-intestines through scaffold-guided organoid morphogenesis. Nature 585, 574–578 (2020). Disponível em: > https://www.nature.com/articles/s41586-020-2724-8#citeas <