O Primeiro Transplante de Sangue de Cordão | Hemocord Magazine

O primeiro transplante de sangue de cordão da história

O sangue de cordão umbilical é considerado atualmente uma fonte viável de células-tronco hematopoiéticas, com aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa, no Brasil) e da Food and Drug Administration (FDA, nos EUA) para utilização em transplantes de medula óssea, no tratamento de cerca de 80 doenças. Na década de 1980, porém, a medula óssea ainda era considerada a única fonte de células-tronco hematopoiéticas para transplantes. Isso mudou após a realização do primeiro transplante de sangue de cordão da história.

transplante de sangue de cordãoTudo começou há 27 anos atrás. No ano de 1988, o norte-americano Matthew Farrow (o pai da família feliz da foto acima) recebeu o primeiro transplante de sangue de cordão da história, o qual foi bem sucedido. Farrow, diagnosticado com anemia de Fanconi, tinha apenas 5 anos na época e recebeu o transplante em 6 de outubro daquele ano, a partir do sangue de cordão umbilical de sua irmã recém-nascida. O sangue de cordão foi processado e congelado no laboratório do renomado professor e pesquisador Dr. Hal Broxmeyer, e depois foi transportado até Paris (França), onde o transplante foi realizado no Hôpital Saint Louis pela Dra. Eliane Gluckman, fundadora e presidente da Eurocord (Associação Europeia de Estudos sobre o Sangue de Cordão), e considerada até hoje uma referência mundial em hematologia.

Farrow foi diagnosticado com anemia de Fanconi, um tipo de anemia aplástica que ocorre quando a medula óssea pára de produzir ou não produz o número suficiente de hemácias, leucócitos e plaquetas. Ela pode causar anormalidades físicas, disfunções em órgãos, fadiga e outros males, e está associada a uma maior probabilidade de desenvolver certos tipos de câncer, como leucemia. A anemia de Fanconi é uma doença genética hereditária rara, que afeta 1 a cada 350 mil recém-nascidos.

transplante de sangue de cordãoAtualmente com 32 anos, o norte-americano está curado da doença, tem uma vida normal com esposa e filho, e se tornou um porta-voz do armazenamento e transplante do sangue de cordão umbilical, figurando em convenções médicas, ao lado de políticos e em eventos esportivos. “Meu objetivo é dividir minha história para ajudar a aumentar a consciência e conhecimentos sobre o sangue de cordão. Existem muitas pessoas que realmente não sabem sua importância”, declara Farrow em entrevista à Parent’s Guide to Cord Blood Foundation, fundação dos EUA para a promoção do armazenamento e uso do sangue de cordão umbilical. “Sinto que há muita energia negativa na imprensa [dos EUA] sobre as células-tronco embrionárias e o público não está ouvindo o bastante sobre as células-tronco do sangue de cordão. Isso deixa uma impressão na mente das pessoas de que as células-tronco são uma coisa negativa”, lamenta Farrow, acrescentando que muitos médicos não explicam aos futuros pais sobre a opção de coletar e armazenar o sangue de cordão tão bem quanto poderiam.

Até hoje, foram realizados cerca de 35 mil transplantes com sangue de cordão, todos possíveis a partir do sucesso do procedimento que deu vida nova a Matthew Farrow em 1988.

Temos na Hemocord Magazine dois textos para te ajudar a entender melhor o potencial do sangue neonatal e a importância das células-tronco do cordão umbilical. E, claro, qualquer dúvida é só entrar em contato pelo hemocord@hemocord.com.br que será um prazer responder aos questionamentos.