Violência Obstétrica, você sabe como denunciar?

Violência Obstétrica Hemocord Magazine

Atos de desrespeito, assédio moral e físico a gestantes podem ser denunciados. No Brasil, os casos atingem uma em cada 4 mulheres grávidas
O nascimento de um filho é um momento único e inesquecível para a mulher, sendo direito incontestável o tratamento digno e a garantia da integridade física e psicológica da gestante, desde o pré-natal até o pós-parto. No entanto, isso ainda é um pouco distante da realidade de muitas mulheres que passaram por algum tipo de violência obstétrica. Segundo uma pesquisa feita pela Organização Mundial de Saúde em 34 países mostrou que as gestantes sofrem desde maus tratos físicos até abusos sexuais. No Brasil, segundo estudo coordenado pela Fundação Osvaldo Cruz, uma em cada quatro brasileiras é vítima de abusos na hora do parto.
Todo ato desrespeitoso, assédio moral e físico, abuso e negligência é caracterizado como violência obstétrica. No Brasil, um estudo feito por médicos da USP de Ribeirão Preto constatou quatro situações: abuso verbal, restrição de acompanhante no parto, contenção física da mulher na mesa de cirurgia e relação ruim entre os profissionais de saúde com a gestante. No entanto, é direito da mulher grávida ter um acompanhante de sua escolha durante todo o período de duração do trabalho de parto, parto e pós-parto, assim como ser informada de qualquer procedimento que incida sobre seu corpo, que interfiram, causem dor ou dano físico.
No Brasil, a incidência de episiotomia, por exemplo (corte entre a vagina e ânus), nos partos normais é de 53,5%. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é não ultrapassar os 10%. O procedimento serve para facilitar a saída do bebê, mas é recomendado apenas em alguns casos pela organização.
Denunciar um caso de violência obstétrica pode contribuir para a diminuição das ocorrências. Basta procurar a Defensoria Pública do seu município com cópia do prontuário médico e cartão de acompanhamento da gestação. A denúncia também pode ser feita por telefone pelos canais Violência Contra a Mulher – 180, ou disque-saúde – 136.