Por que armazenar as células-tronco do cordão umbilical do bebê?

armazenar as células-tronco

– O sangue e o tecido do cordão umbilical são ricos em células-tronco hematopoiéticas e mesenquimais, respectivamente.

– Cada vez mais estudos clínicos (em humanos) são desenvolvidos para avaliação do potencial terapêutico das células-tronco em diversas doenças, incluindo diabetes e esclerose lateral amiotrófica.

A cada dia, a evolução dos estudos no campo da medicina regenerativa aumenta a possibilidade de uso clínico das células-tronco do cordão umbilical em doenças e condições que até hoje não possuem tratamento. Esse é um dos principais motivos que faz com que muitas famílias optem por armazenar as células-tronco do sangue e do tecido do cordão umbilical do bebê, cuja coleta é realizada imediatamente após o parto.
Em todo o mundo, estudos buscam alternativas para curar ou atenuar as complicações de inúmeras doenças e condições com o uso das células-tronco. Entre as doenças com estudos clínicos em estágio mais avançado está o diabetes mellitus, que afeta 13,7 milhões de pessoas no Brasil e 371 milhões em todo o mundo, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes.
Um estudo em andamento, coordenado pelo Dr. Carlos Eduardo Barra Couri, da Unidade de Terapia Celular do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, realizou um tratamento experimental em 23 pacientes recém diagnosticados com diabetes tipo 1, também denominado diabetes insulino-dependente. Para a realização do estudo, foram coletadas células-tronco hematopoiéticas da medula óssea dos pacientes, as quais foram congeladas e armazenadas por duas semanas. Depois, os pacientes diabéticos foram submetidos a um tratamento com medicamentos imunossupressores severos, para “desligar” o sistema imunológico e preservar as células do pâncreas produtoras de insulina, seguido de transplante autólogo de células-tronco hematopoiéticas. Dos 23 pacientes, 20 não necessitaram de terapia com insulina durante algum período do estudo, e 12 pacientes permaneceram livres das aplicações diárias de insulina por, no mínimo, 1 ano. Em condições normais, a insulina é produzida pelo pâncreas e é responsável pelo controle dos níveis de glicose (açúcar) no sangue.
Nos EUA, o professor e pesquisador do Instituto de Células-Tronco de Harvard, Dr. Douglas Melton, lidera um grupo de pesquisa que busca a cura para o diabetes mellitus por um motivo muito especial: seus filhos, Sam e Emma, foram diagnosticados com diabetes tipo 1. O grupo de pesquisa foi capaz de produzir grandes quantidades de células pancreáticas produtoras de insulina a partir de células-tronco embrionárias humanas. Quando transplantadas em animais diabéticos, as células produtoras de insulina foram capazes de controlar os níveis de glicose desses animais. “Estamos a um passo pré-clínico da linha de chegada”, declara Dr. Melton. E qual é a linha de chegada? O início de um estudo clínico, em humanos. Documentado em vídeo produzido no laboratório do Dr. Melton, o crescimento das células pancreáticas produtoras de insulina pode ser conferido a seguir:

Estudos para viabilizar tratamentos com células-tronco também guiam linhas de pesquisa em doenças neurodegenerativas, como a doença de Alzheimer e a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Os efeitos terapêuticos das células-tronco mesenquimais na ELA, também conhecida como doença de Lou Gehrig ou doença de Charcot, foram avaliados em um estudo conduzido pelos hematologistas Elíseo Joji Sekiya e Adelson Alves, que você pode conferir no Hemocord Magazine.
Preparamos um post para explicar melhor o que são células-tronco, mas caso tenha dúvidas, entre em contato pelo [email protected].