Perspectivas de uso das células-tronco mesenquimais

Além do sangue do cordão umbilical, o próprio tecido do cordão e a substância que o reveste
(Geléia de Wharton) também são ricos em células-tronco: as células-tronco mesenquimais.
Estas células têm propriedades diferentes das células-tronco encontradas no sangue do cordão
e sua utilidade médica tem sido investigada em aproximadamente 1.500 estudos em todo
mundo. 

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Capacidade de diferenciação celular
Enquanto que as células-tronco do sangue do cordão tem a propriedade de renovar a medula
óssea e se “transformar” nas células que compõem o sangue, as células-tronco mesenquimais
possuem características diferentes.
Uma das principais propriedades das células-tronco mesenquimais que está sendo explorada
para tratamentos em medicina regenerativa é a habilidade destas células “se convertem” e
se multiplicarem em diferentes tecidos, como tecido ósseo, muscular, cardíaco, cartilaginoso,
derme. Assim, essas células podem impulsionar renovação e o restabelecimento da função de
diversos tecidos do organismo. Essa habilidade das células-tronco mesenquimais é a base dos
estudos que buscam desenvolver órgãos inteiros em laboratório para transplante.

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Propriedades imunomoduladoras
Além da capacidade regenerativa, as células-tronco mesenquimais possuem propriedades
imunomoduladoras. Isso significa que elas têm o poder de regular o mecanismo inflamatório
do nosso corpo. Ou seja: elas estimulam o aumento da resposta inflamatória visando a
restauração da patologia ou também podem frear a resposta inflamatória quando ela é
inadequada e exacerbada.

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Doenças que podem ser tratadas
Tendo em vista estas características, fica claro que essas células têm muitas aplicações clínicas,
podendo desempenhar um papel importante em quase todas as especialidades médicas e
cirúrgicas. O potencial das células-tronco mesenquimais é uma ferramenta promissora no
restabelecimento de pacientes com:
– doenças neurodegenerativas, como esclerose múltipla, esclerose lateral amniotrófica (ELA),
Mal de Parkinson, Alzheimer e restabelecimento de lesões na medula espinhal;

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– cardiomiopatias e AVC;

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– doenças autoimunes: lúpus, artrite;

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– Diabetes;

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– doenças hepáticas, incluindo cirrose, insuficiência hepática;

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– doenças musculoesqueléticas, tais como distrofias musculares e osteonecrose; bem como na
reconstrução de cartilagens e ossos;

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– problemas de pele. Por exemplo: queimaduras, epidermólise bolhosa, enxertos, úlceras;

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– doenças pulmonares (doença pulmonar obstrutiva crônica, COVID-19);
entre outras condições patológicas.

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Já se tem evidências sólidas destas e de muitas outras propriedades das células-tronco
mesenquimais suficientes para aplicações clínicas, mas também algumas questões importantes
ainda precisam ser respondidas. É necessário desenvolver protocolos de utilização para cada
caso, avaliando a segurança e eficácia.

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Fontes utilizadas:

Pittenger et al. Mesenchymal stem cell perspective: cell biology to clinical progress
Mark F. Nature, 2019 (Partner Journal). Disponível em: >
https://www.nature.com/articles/s41536-019-0083-6.pdf <

Berebichez-Fridman & Montero-Olvera. Sources and Clinical Applications of
Mesenchymal Stem Cells. SQU Medical Journal, 2018. Disponível em: >
file:///C:/Users/Carla/Downloads/squmj1808-e264-277.pdf <