Nova perspectiva de cura para o HIV com transplante de sangue de cordão umbilical

Cientistas possivelmente encontraram a cura para a doença causada pela infecção do vírus HIV. Uma equipe de pesquisadores americanos divulgou a descoberta essa semana, apresentando o caso de uma paciente tratada há quatro anos com células-tronco, que está em remissão total da doença. Frente a estes resultados iniciais, a expectativa dos pesquisadores é expandir esse tratamento de forma semelhante para dezenas de pacientes ao ano.


Como tudo começou
A hipótese de que um transplante de células-tronco poderia ser útil na cura para o HIV foi levantada em 2008, quando os médicos trataram o americano Timothy Ray Brown para leucemia mieloide aguda. Ele recebeu um transplante de células-tronco de um doador que tinha uma rara mutação genética que garante uma resistência natural das células imunológicas ao vírus do HIV e curou-se das duas doenças.


Os primeiros tratamentos
O processo terapêutico praticado no caso de Timothy foi repetido com outros pacientes. A ideia era substituir o sistema imunológico do doente por um “totalmente novo” com a mutação que o tornaria imune ao vírus HIV, tratando seu câncer e, ao mesmo tempo, curando o HIV. Então, primeiramente, os médicos destruíam o sistema imunológico original do paciente com quimioterapia e/ou radioterapia – na esperança que isso também destruísse o maior número possível de células de defesa que ainda continham em seu interior o vírus HIV.
Na etapa seguinte, foram transplantadas células-tronco com o objetivo de regenerar o sistema imunológico que foi destruído e multiplicar células com a resistência natural ao HIV. Assim, uma vez que as células-tronco resistentes ao HIV transplantadas fossem enxertadas adequadamente, caso novas cópias virais surgissem, estas seriam incapazes de infectar as novas células.
Essa estratégia aparentemente curou o HIV em três pacientes. Mas também falhou em uma série de outros casos.


Paciente que recebeu o sangue de cordão
A “paciente de Nova York”, como está sendo popularmente referida, foi diagnosticada com HIV em 2013 e leucemia em 2017. Frente à progressão da leucemia, foi indicado transplante de células- tronco como tratamento deste câncer sanguíneo. Porém, os pesquisadores utilizaram um protocolo de transplante de células-tronco diferente dos casos anteriores.
Tradicionalmente, o tratamento das malignidades sanguíneas adultas é tratado com transplante de células-tronco de um doador com a maior compatibilidade possível do doente para maximizar as chances de cura. Nesse caso em que a paciente tinha HIV, além de ser compatível com ela, o doador também deveria apresentar a rara mutação genética que confere resistência ao vírus para que não só a leucemia fosse curada, mas também o HIV. Isso diminuiria muito as chances de encontrar um doador compatível.

Comparado com as células-tronco adultas, o sangue do cordão umbilical é mais adaptável para transplantes, pois não precisa ter total compatibilidade com o doente. O sangue do cordão umbilical, no entanto, frequentemente, não produz células suficientes para tratar um adulto, de modo que os transplantes desse sangue têm sido mais direcionados aos casos de câncer infantil.


Então, para tratar esta paciente de Nova York, a equipe do pesquisador Weill Cornell realizou um protocolo de transplante chamado de haplo-cordão. Primeiro, a paciente recebeu um transplante de sangue do cordão umbilical que continha a mutação genética que confere resistência ao HIV. Um dia depois, como complemento, recebeu um enxerto de células-tronco obtidas da medula óssea. Assim, as células-tronco se proliferam rapidamente, mas com o tempo foram totalmente substituídas por células do sangue do cordão umbilical – que continham a mutação genética que confere resistência ao HIV.
O transplante correu bem e a paciente está em remissão de sua leucemia há mais de quatro anos. Três anos após o transplante, ela e seus médicos interromperam o tratamento para o HIV. Quatorze meses depois, ainda não apresentou nenhum sinal do vírus.

Todos os pacientes com HIV poderão fazer esse tratamento?
A princípio esse protocolo de tratamento será destinado a pacientes que tenham HIV e algum câncer do sangue concomitantemente. Dra. Deborah Persaud, especialista em doenças infecciosas pediátricas da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins, por trás do novo estudo de caso, enfatizou em entrevista à NBC News que o método de tratamento com células-tronco “ainda não é uma estratégia viável para todos, exceto para um determinado grupo de pessoas que vive com HIV”.

Fonte consultada:
https://www.nbcnews.com/nbc-out/out-health-and-wellness/scientists-possibly-cured-hiv-woman-first-time-rcna16196