Estudo aponta sangue do cordão umbilical como fonte preferencial para transplante de células-tronco

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Quando um paciente com câncer sanguíneo precisa de um transplante de medula óssea, existem quatro fontes de doadores comuns: um doador de medula com parentesco e compatível (irmão), um doador de medula sem parentesco compatível (de um banco de doadores voluntários), um doador com 50% de compatibilidade (parcialmente compatível, em geral um dos pais do doente) ou ainda o sangue do cordão umbilical. Há vantagens e desvantagens em cada tipo de doador, mas consensualmente a primeira opção sempre foi buscar uma amostra de um doador de medula compatível.

Na ausência ou impossibilidade de doador com parentesco compatível, rastreava-se então, um doador de medula compatível sem parentesco, ou então o uso de sangue de cordão umbilical. Tratamentos com amostras de doadores parcialmente compatíveis sempre foram a última opção considerada. Pelo seu baixo custo e facilidade de acesso, esta opção vem ganhando espaço significativo no universo dos transplantes. 

Agora, os resultados de um estudo de uma década do Centro de Câncer da Universidade do Colorado apontam para a necessidade de mudanças no critério de escolha de doadores. Ao comparar 190 pacientes que receberam transplantes de sangue do cordão com 123 pacientes que foram transplantados com medula óssea de irmãos compatíveis, não foi evidenciada diferença nos resultados de sobrevida entre essas duas abordagens. “Nossos pacientes com sangue do cordão estavam indo tão bem quanto os pacientes que receberam transplantes de medula entre irmãos compatíveis. Em alguns grupos específicos os pacientes transplantados com sangue do cordão estavam ainda melhor”, disse Jonathan Gutman, investigador do CU Cancer Center e diretor do programa de transplante de células-tronco alogênicas do UCHealth University of Colorado Hospital. 

O estudo também demonstrou uma diminuição na chance de rejeição do transplante (doença do enxerto contra o hospedeiro) quando o tratamento foi realizado com células-tronco do cordão umbilical. “Especialmente nos pacientes mais jovens e mais saudáveis, tivemos fortes indícios de que o sangue de cordão umbilical pode ser melhor em termos de redução da doença do enxerto contra o hospedeiro e recidiva da doença”, disse Gutman. “Achamos que há vantagens importantes do sangue de cordão umbilical, especialmente no que diz respeito à doença do enxerto contra o hospedeiro. Anteriormente, tomamos uma posição recomendando o sangue do cordão umbilical em vez de doadores não aparentados, e agora mostramos que o sangue do cordão pode até competir com o padrão ouro de doadores de medula entre irmãos”, finalizou. 

Sobre o sangue do cordão umbilical 

O sangue do cordão umbilical é rico em células-tronco, que podem repovoar a medula óssea e, consequentemente, o sistema sanguíneo de um paciente. Como essas células-tronco do cordão umbilical são mais “básicas” do que as células-tronco encontradas na medula óssea do sangue adulto, elas exigem um grau de compatibilidade menor. No entanto, um desafio tem sido a obtenção de células suficientes para realizar um transplante com sucesso. A alternativa é utilizar duas unidades de sangue de cordão, ou usar sangue de cordão e complementá-lo com células de medula óssea, para superar essa barreira. O próprio CU Cancer Center e outros estudos mundiais têm buscado desenvolver técnicas para expandir pequenas amostras de sangue do cordão umbilical para o volume necessário para o transplante.

Leia o estudo na íntegra: Sharma, P et al. Adult cord blood transplant results in comparable overall survival and improved GRFS vs matched related transplant. 

Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7252552/pdf/advancesADV2020001554.pdf