Descoberta científica fortalece alternativa para tratar leucemia

Uma molécula desenvolvida por cientistas canadenses poderá ser a grande revolução para o tratamento da leucemia, tipo de câncer mais comum entre crianças e adolescentes com previsão de 11.370 novos casos somente neste ano no Brasil.
A conclusão do estudo divulgado na última semana pela revista Science é que a molécula UM 171, quando injetada em uma quantidade de células-tronco originais, multiplica por 10 o volume de células-tronco extraídas do cordão umbilical, procedimento que ocorre ainda durante o nascimento de uma criança. Até então uma das questões levantadas sobre a utilização das células dessa origem era a possibilidade eventual de um volume celular insuficiente, o que poderia limitar um futuro transplante.
Tradicionalmente, a quimioterapia é a primeira opção terapêutica para tratar a leucemia. Porém, quando não há sucesso no tratamento convencional, o transplante de medula é indicado.
Segundo explica a Doutora em Ciências pela USP e diretora científica do Hemocord, Karolyn Sassi Ogliari, como o sangue do cordão umbilical contém células-tronco jovens com alto potencial regenerativo, sendo menos reativas imunologicamente e que ainda estão livres de fatores ambientais externos, constitui uma das melhores alternativas para um possível transplante.
Acredita-se que essas sejam as razões pelas quais os transplantes utilizando sangue do cordão umbilical têm obtido resultados melhores que os procedimentos utilizando as células da medula óssea de um adulto. “Estudos mostram que o transplante, quando realizado com esse tipo de células-tronco, causa menos rejeição, melhor qualidade de vida e ganho de sobrevida pós-transplante, inclusive em pacientes acima dos 50 anos de idade. Como o volume de células coletadas no sangue de cordão é limitado, pode haver a necessidade de um transplante duplo, ou seja, a utilização de dois cordões, o que encareceria o tratamento”, destaca a pesquisadora.
Esse não é o único estudo envolvendo tentativas de expansão das células-tronco presentes no sangue de cordão umbilical. Há, pelo menos, mais cinco grupos científicos envolvidos em pesquisas avançadas que propõem diferentes métodos para multiplicar esse tipo celular. Os estudos já se encontram em fase clínica, ou seja, já estão sendo testados em pacientes para aprovação num breve futuro.
As células-tronco hematopoiéticas, tipo encontrado no cordão umbilical e na placenta, são usadas para tratar mais 80 doenças do sangue, sendo a leucemia a principal delas. Na maioria das vezes, o transplante alogênico (doador diferente do receptor) é o mais indicado, porém, o transplante autólogo (mesmo indivíduo) pode ser um recurso considerado temporário até o transplante definitivo.

Como funciona a coleta?

A coleta do sangue a partir do cordão umbilical acontece durante o parto com duração média de 3 a 5 minutos. O material é transportado, acondicionado em bolsas térmicas com monitoramento digital de temperatura e identificação detalhada até a central de armazenamento.  O obstetra deve ser comunicado sobre o desejo de armazenar as células-tronco do bebê. Em caso de agendamento do parto, o local e horário devem ser informados à equipe responsável pela coleta com antecedência.
Creditado pela ONA, o Hemocord armazena com total segurança o material biológico por tempo indeterminado e, em caso de necessidade, poderá disponibilizar para qualquer centro de transplante do mundo.