Análise global consolida evidências de 11 estudos sobre sangue de cordão na paralisia cerebral

A paralisia cerebral é uma condição neurológica que afeta o movimento e a postura desde a infância. Para entender melhor o papel do sangue de cordão umbilical nesse contexto, pesquisadores reuniram e analisaram, caso a caso, os dados de 498 crianças provenientes de 11 estudos clínicos. Essa revisão com dados individuais comparou quem recebeu sangue de cordão com grupos controle e mediu mudanças na função motora por uma escala padronizada (GMFM-66); também observou quantidade de células infundidas, idade, gravidade do quadro e segurança.
De forma geral, as crianças que receberam sangue de cordão apresentaram modestas, porém consistentes, melhoras na função motora grossa, especialmente entre 6 e 12 meses após a infusão: em média, o GMFM-66 aumentou 1,36 ponto aos 6 meses e 1,42 ponto aos 12 meses em comparação aos controles. Na prática, isso pode significar avanços graduais em habilidades amplas como sentar, ficar em pé e dar passos. Esses efeitos não apareceram nos primeiros 1 a 3 meses, sugerindo que o benefício tende a surgir com o tempo.
A dose administrada pareceu importar: doses maiores (total de células nucleadas por kg) vieram acompanhadas de efeitos mais visíveis na escala motora. O perfil dos melhores respondedores também ficou mais claro: crianças mais novas (aprox. abaixo de 5 anos) e com quadros mais leves mostraram maior ganho. Quanto à segurança, as taxas de eventos adversos graves foram semelhantes entre quem recebeu sangue de cordão e os grupos controle. Reações relacionadas à infusão foram raras (por exemplo, ao crioprotetor) e tiveram resolução adequada.
Em síntese, a análise indica que o sangue de cordão umbilical é seguro nas condições avaliadas e pode oferecer benefício clínico modesto, porém clinicamente relevante para parte das crianças, sobretudo mais jovens e com quadros menos graves, quando administrado em doses mais altas.
Fonte: Finch-Edmondson M., Cord Blood Treatment for Children With Cerebral Palsy: Individual Participant Data Meta-Analysis. Pediatrics. 2025;155(5):e2024068999.