Paternidade: o protagonismo dos pais na criação dos filhos | Hemocord Magazine

Paternidade: o protagonismo dos pais na criação dos filhos

Foi-se o tempo em que cuidar dos filhos era tarefa exclusiva da mulher. Cada vez mais, os papais assumem a responsabilidade compartilhada e cumprem um papel mais ativo na criação dos pequenos. Mas você sabe o motivo pelo qual isso está acontecendo? Saiba mais sobre o assunto no texto abaixo!

Paternidade ativa traz benefícios para os pais e para os filhos

Um estudo publicado pela Academy of Management Perspectives aponta que homens que passam tempo com os filhos no cotidiano são mais felizes no trabalho. Depois de entrevistar 970 homens empregados, os pesquisadores concluíram que pais mais envolvidos com a criação dos filhos se mostraram mais satisfeitos com o trabalho e com a relação trabalho-família. E, ainda, são os menos propensos a pensar em largar o emprego.

A rotina sexual do casal também muda – para melhor! O comprometimento entre o pai e a mãe na criação dos pequenos faz com que a satisfação com a vida sexual cresça, aponta um estudo da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, que ouviu 900 casais heterossexuais. Aliás, deixar a mãe como única encarregada da maioria ou de todo o cuidado com a criança acaba afetando o relacionamento do casal.

Assim como a maternidade muda o comportamento e a maneira como a mulher pensa, o mesmo sentimento de preenchimento no homem ao ouvir o filho ou filha o chamando de “papai” se torna visível. Aos poucos, pais amorosos e participativos estão se tornando maioria.

Vivências pessoais servem para incentivar a paternidade

O relatório Situação da Paternidade no Brasil, publicado pela Promundo em 2016, mostra que a participação ativa dos pais nos serviços de pré-natal e no pós-parto é um fator fundamental para promover melhora nos indicadores de saúde. Além disso, quando o homem se responsabiliza pela criação dos filhos de maneira igualitária, abre espaço para que a mulher possa se desenvolver plenamente no mercado de trabalho. 

A sociedade, aliás, pede que os homens participem mais intensamente. A cobrança de que homens e mulheres sejam vistos como iguais no mercado de trabalho passa, naturalmente, por um compromisso maior por parte dos pais. Beto Bigatti, publicitário e dono do blog “Pai Mala”, indigna-se que alguns homens apenas “optem” pela paternidade, comparecendo só quando lhes é confortável e, ainda, garante que esses pais vão se arrepender disso no futuro.

Em alguns casos, o sentimento participativo surge como fruto de experiências pessoais. O jornalista e autor do livro “O papai é pop” Marcos Piangers explica que a ausência do pai durante a infância fez com que ele puxasse para si uma responsabilidade que, tradicionalmente, acaba ficando com a mãe. O escritor argumenta que levar os filhos ao colégio e ao pediatria, e ajudá-los nas tarefas escolares, por exemplo, são atividades prazerosas que estabelecem vínculos importantes no relacionamento entre pai e filho.

Um dos motivos pelos quais os pais podem ser mais ausentes na criação dos filhos é a falta de referencial. Tradicionalmente, a sociedade perpetua a ideia de que a mulher é responsável pelas crianças, e o homem, pela renda da família. Poucos são os pais que assumem esse papel. Aos poucos, a situação muda, e novos referenciais de paternidade surgem, como o próprio Piangers. O escritor garante que o homem também tem, dentro de si, o instinto de participação, de estar perto dos filhos.