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Pais superprotetores: os riscos de não deixar o filho crescer

Quando uma criança nasce, ela não sabe nada sobre o mundo ao seu redor. Cada pessoa, cada passo, cada imagem, tudo é completamente novo. E é por causa dessa falta de conhecimento – e do tamanho da criança – que acreditamos que elas são seres frágeis, que precisam de cuidados constantes.

E mesmo que isso seja verdade, afinal, crianças precisam sempre da supervisão de adultos, muitas pessoas não sabem dosar esses cuidados e acabam se tornando pais superprotetores – aqueles que estão constantemente querendo saber o que a criança está fazendo e a impedindo de correr até os menores riscos possíveis.

Mas ainda que crianças precisem de proteção, ser superprotetor pode gerar o resultado contrário – ao invés de protegida, ela se sentirá insegura. E como lidar com tudo isso?

Pais superprotetores: como saber se você é um?

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Saber dosar os cuidados e carinhos sem ser superprotetor é um desafio para todos os pais. O importante é perceber que querer que seu filho seja feliz e fique seguro não é o mesmo que evitar que ele passe por qualquer dificuldade ou frustração. Também é necessário deixar que ele passe por situações assim para que aprenda o que fazer.

A psicóloga e escritora Olga Tessari afirma que “a superproteção acontece quando os pais impedem o desenvolvimento pleno por medo do sofrimento”. Ou seja, o medo de que o filho possa passar por dificuldades, violências ou outros problemas faz com que o monitoramento seja constante e, muitas vezes, impede que a criança aprenda a lidar sozinha com momentos difíceis.

De acordo com a psicanalista Anne Lise Scappaticci, da International Psychoanalytical Association, a superproteção é algo que surge em pessoas amorosas e bem intencionadas, mas que não conseguem lidar com a própria ansiedade. Na maior parte das vezes, elas são inseguras e não conseguem se conter e deixar que a criança viva novas experiências.

Outro traço comum é desconsiderar a idade do filho e tratá-lo constantemente como um bebê pequeno e indefeso. E as consequências correspondem ao tratamento: a criança cresce acreditando que é pequena e indefesa.

Consequências do comportamento de pais superprotetores

As consequências do comportamento de pais superprotetores são variadas. Do ponto de vista psicológico, de acordo com estudos, as crianças podem crescer com medo do novo, com dificuldades de se relacionar e fazer novos amigos, com falta de iniciativa e isolamento.

Esse tipo de proteção também pode passar a mensagem de que a criança não é capaz de resolver seus problemas sozinha, sempre dependendo dos pais para resolvê-los. A possibilidade do erro os paralisa, impedindo que tentem lidar com essas situações sem a ajuda dos pais. Olga Tessari explica: “O erros fazem parte da vida! Aprender com eles é fundamental para o crescimento e desenvolvimento humano”.

Além disso, um estudo publicado pelo Journal of Child and Families Studies aponta que esse tipo de comportamento dos pais aumenta o risco de a criança se sentir incompetente, sofrer com depressão e ter ansiedade – sintomas que podem surgir mesmo no futuro, quando a criança já for adulta. Outra análise, da Universidade de Warwick, envolvendo mais de 200 mil crianças no Reino Unido, mostrou que a superproteção também aumenta o risco de bullying.

Nada é mais natural do que o desejo de proteger seu filho. Não é algo apenas social, mas também biológico. Porém, é importante encontrar a dose certa e deixar que seu filho passe por todo tipo de experiência. Mesmo que esse seja um processo difícil, você deve buscar todo tipo de ajuda para tentar.

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