Especialista mundial em transplante de sangue de cordão participa de Congresso da SOGIRGS

Na próxima sexta-feira, dia 03 de agosto de 2018, o Estado recebe a Dra. Joanne Kurtzberg, especialista internacionalmente renomada em onco-hematologia pediátrica, transplante pediátrico de sangue e de medula óssea, armazenamento e transplante de sangue de cordão umbilical e em novas aplicações das células do cordão umbilical nos campos emergentes de terapias celulares e da medicina regenerativa.

Pela primeira vez no Sul do Brasil, a médica e pesquisadora americana vai ministrar a conferência internacional: “Trinta anos de coleta e uso de sangue de cordão umbilical – O que evoluiu?”, durante o XXI Congresso Gaúcho de Ginecologia e Obstetrícia, que acontece no Plaza São Rafael, em Porto Alegre.

Dra. Kurtzberg participou do primeiro transplante de sangue de cordão da história, em 1988, realizado em um paciente seu: o menino Matthew, diagnosticado com anemia de Fanconi e insuficiência da medula óssea. O sangue de cordão utilizado no transplante foi coletado no nascimento da irmã caçula e armazenado nos EUA. O transplante ocorreu no Hospital Saint-Louis, em Paris, sob coordenação da Dra. Eliane Gluckman, e Matthew foi efetivamente curado. Atualmente, ele leva uma vida normal e saudável.

Durante o Congresso, a médica compartilhará com os participantes do evento esta e outras importantes experiências adquiridas em transplante pediátrico de sangue de cordão para o tratamento de leucemias, linfomas, doenças metabólicas, imunodeficiências e disfunções do sangue.

Desde 2010, ano em que criou o Programa Robertson de Terapia Celular Clínica e Translacional na Universidade Duke, a Dra. Kurtzberg se dedica ao estudo e desenvolvimento de novas terapias derivadas do sangue de cordão e do tecido de cordão, para o tratamento de doenças não-hematológicas. No Congresso, a especialista também vai apresentar os resultados das pesquisas sobre o uso das células do cordão umbilical em crianças com paralisia cerebral, autismo, lesão cerebral por traumatismo, e, até mesmo, acidente vascular cerebral (AVC) em adultos.

Considerado uma fonte viável de células-tronco hematopoiéticas e glóbulos brancos mais imaturos, o sangue de cordão é aprovado pela Anvisa no Brasil, e pela Food and Drug Administration (FDA) nos EUA, para ser utilizado em transplantes de medula óssea, como parte do tratamento de aproximadamente 80 doenças, incluindo leucemias, linfomas, anemias graves, doenças metabólicas, imunodeficiências e tumores sólidos.

A coleta do sangue e do tecido do cordão umbilical é realizada por profissionais capacitados dos bancos de cordão umbilical. O procedimento é feito logo após o nascimento do bebê, de forma segura, indolor e sem riscos para a mãe e para o recém-nascido. O material coletado é congelado, armazenado e fica disponível para uso imediato ou futuro, conforme a necessidade.

Em três décadas, já foram realizados mais de 40 mil transplantes de sangue de cordão em todo o mundo, e mais de 4 milhões de unidades foram armazenadas em bancos de cordão umbilical.

No Brasil, o primeiro transplante de sangue de cordão foi um transplante alogênico – quando o paciente recebe células de outra pessoa – realizado em 1997, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Dois anos depois, a mesma instituição foi pioneira ao realizar o primeiro transplante de sangue de cordão autólogo – quando o paciente recebe suas próprias células – do mundo. O tratamento foi realizado em uma menina de quatro anos com neuroblastoma, um tumor sólido originário do sistema nervoso.

Até hoje, já foram utilizadas mais de 200 unidades de sangue de cordão provenientes de bancos públicos e privados brasileiros.

Recentemente, uma mudança na legislação trouxe maior flexibilidade ao processo. A partir da RDC nº 214 da Anvisa, de fevereiro deste ano, os bancos privados não são mais denominados “autólogos” e podem ser caracterizados como “bancos familiares”, ou seja, o sangue de cordão pode ser utilizado pela própria pessoa do qual o material foi coletado (transplante autólogo) ou por um familiar com indicação médica de uso e compatibilidade aceitável (transplante alogênico aparentado).  

De acordo com a literatura médica, o transplante de sangue de cordão é seguro e oferece benefícios aos pacientes, incluindo igual ou maior probabilidade de sobrevivência após o procedimento e menores chances de rejeição e recaída em determinados grupos de doenças, em comparação ao transplante de medula óssea.

Os tratamentos com o sangue de cordão, pelas características de suas células ao nascimento, fazem parte de uma evolução que integra um importante conceito de “Medicina Regenerativa”.  

Um pouco mais sobre a Dra Joanne Kurtzberg

No currículo, Joanne Kurtzberg também acumula experiências como presidente da Cord Blood Association (CBA) – a Associação de Sangue de Cordão, Diretora Médica-Científica do Programa Robertson de Terapia Celular Clínica e Translacional da Universidade Duke, Diretora do Programa Pediátrico de Transplante de Sangue de Cordão e de Medula Óssea da Universidade Duke, e Diretora do Banco de Sangue de Cordão Carolinas – banco público na Universidade Duke. Os resultados de suas pesquisas estão influenciando a agência reguladora americana FDA para a aprovação de novos tratamentos com o sangue de cordão dentro dos próximos anos.

Release escrito por Insider2 Comunicação