Diabetes na infância: conheça os sinais e as novas perspectivas de tratamento para a doença | Hemocord Magazine

Diabetes na infância: conheça os sinais e as novas perspectivas de tratamento para a doença

Além de prevenir a obesidade, hábitos saudáveis evitam o desenvolvimento de doenças, como o diabetes. Por isso, o cuidado com a alimentação na infância é essencial: desde os primeiros anos de vida, as crianças devem ser orientadas a consumir mais alimentos in natura (frutas, verduras e legumes), e evitar salgadinhos, bolachas recheadas, sucos e doces industrializados em geral, que contêm corantes, conservantes e, principalmente, açúcar em excesso. 

O que é diabetes?

O diabetes é uma doença crônica, que ocorre quando o pâncreas produz insulina de forma insuficiente e/ou quando o organismo não utiliza a insulina de forma eficaz, elevando a quantidade de glicose no sangue. A doença se manifesta de duas maneiras. Existe o diabetes tipo 1, mais comum na infância e na adolescência, normalmente causada por uma reação auto-imune que faz com que nenhuma ou pouquíssima insulina seja produzida pelo pâncreas, e o diabetes do tipo 2, que ocorre quando o organismo não utiliza a insulina de forma correta e não consegue manter os níveis de glicose dentro da normalidade. O diabetes tipo 2 – que representa cerca de 90 a 95% dos casos de diabetes – é mais comum em adultos, principalmente em pessoas acima do peso. Como os índices de obesidade infantil estão aumentando em todo o mundo, as taxas de diabetes tipo 2 entre crianças e adolescentes também cresceram.

Sintomas      

Desde cedo, é importante que os pais fiquem atentos aos sintomas e que procurem um pediatra sempre que julgarem necessário. Segundo a Associação de Diabetes Juvenil, pessoas com diabetes do tipo 1 sentem muita sede e muita fome. É comum que passem a urinar com mais frequência e que emagreçam sem motivo – por exemplo, sem um estímulo físico, como a prática de exercícios. A criança vai ficando mais fraca e sonolenta, sem vontade de fazer atividades pelas quais manifestava interesse normalmente.

Algumas pessoas têm certos genes (características transmitidas de pais para filhos) que os tornam mais propensos a desenvolver diabetes tipo 1, embora muitos não tenham diabetes tipo 1, mesmo que tenham os genes.

Em relação ao diabetes tipo 1, algumas pessoas possuem certos genes (características transmitidas de pais para filhos) que aumentam a probabilidade de desenvolver a doença, e ela não está necessariamente associada a uma alimentação errada. O diabetes tipo 2, no entanto, é mais comum em crianças que não se alimentam de maneira saudável e que, por consequência, estão acima do peso. Nesse caso, as crianças também terão mais sede e vão urinar com mais frequência, além disso ficam com a boca seca e cansadas. É importante observar também sinais como formigamento nos pés ou nas mãos, cicatrização lenta de feridas, e infecções frequentes.

Prevenção e controle

Atividades físicas são fundamentais para controlar a doença e, também, para impedir que outros órgãos sofram complicações em decorrência da diabetes. O controle da glicemia deve ser feito diariamente e, claro, o consumo de açúcar deve ser controlado. Uma dieta balanceada, incluindo alimentos naturais, também deve ser introduzida na vida da criança.

No caso do diabetes tipo 1, é preciso injetar doses diárias de insulina. Seringas, canetas e bombas de insulina já existem para facilitar o manuseio do medicamento.

Já o diabetes tipo 2 é controlado via remédios que diminuem as taxas de glicose do sangue, mantendo o funcionamento do pâncreas normalizado. Em casos graves, será preciso injetar insulina, também.

Tratamentos com células-tronco 

Especialistas da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto desenvolveram uma terapia pioneira para tratar diabetes 1 sem o uso de insulina. Coordenado pelo endocrinologista Carlos Couri, pesquisador da Unidade de Terapia Celular do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, o estudo, publicado na revista científica internacional Frontiers, avançou ao ponto de comprovar que a técnica também impede sequelas graves da doença.

O tratamento, ainda em fase de estudos, combina quimioterapia com o transplante de células-tronco, livrando os pacientes da necessidade da aplicação diária da insulina. Os cientistas também observaram que a terapia reduziu complicações como cegueira, amputações e insuficiência renal. Atualmente, procuram-se voluntários para participar do estudo, na USP de Ribeirão Preto.

O transplante de células-tronco em pacientes com diabetes tipo 1 também vem sendo estudado na Universidade de Nanchang, na China. O estudo analisa a eficácia dessa opção de tratamento e indica que o transplante de células-tronco é bastante promissor com relação ao diabetes, embora ainda sejam necessários mais dados para comprovação da eficácia desse estudo.

No mundo inteiro, o uso de células-tronco vem sendo estudado em centros internacionais de referência na comunidade científica, apontando para novas perspectivas no tratamento de diversas doenças, até então com poucas opções de abordagem terapêutica ou reversão.