Dia Mundial do Sangue de Cordão

15 de novembro: o Dia Mundial do Sangue de Cordão

Dia 15 de novembro é o Dia Mundial do Sangue de Cordão. Essa data tem como principal propósito educar a população mundial e disseminar informações sobre o sangue de cordão umbilical, um material rico em células-tronco e glóbulos brancos imaturos com grande potencial terapêutico.

Em todo o mundo, muitas pessoas desconhecem que o sangue de cordão já foi utilizado em mais de 40 mil transplantes, tem aprovação para ser utilizado no tratamento de cerca de 80 doenças – incluindo leucemias, linfomas e tumores sólidos – e mais: diversos grupos de médicos e pesquisadores estão comprovando a segurança e a eficácia do sangue de cordão no tratamento de doenças comuns e incuráveis que possuem alternativas terapêuticas limitadas, como é o caso da paralisia cerebral. A paralisia cerebral é considerada a causa mais comum de deficiência física grave em crianças no mundo todo, e pode ser ocasionada por diferentes fatores (incluindo infecções, traumas e falta de oxigênio) antes, durante ou após o nascimento, ou durante os primeiros anos de vida da criança, quando o cérebro ainda está se desenvolvendo.

Nesta data especial para a comunidade que trabalha com sangue de cordão, compartilhamos com os nossos leitores os principais resultados de um estudo recente relacionado ao tema, desenvolvido pelo grupo de pesquisa da renomada médica, professora e pesquisadora Dra Joanne Kurtzberg.

Publicado na revista científica Stem Cells Translational Medicine, o estudo intitulado Effect of Autologous Cord Blood Infusion on Motor Function and Brain Connectivity in Young Children with Cerebral Palsy: A Randomized, Placebo-Controlled Trial (Efeito da Infusão de Sangue de Cordão Autólogo na Função Motora e Conectividade Encefálica em Crianças Pequenas com Paralisia Cerebral: Um Ensaio Randomizado, Placebo-Controlado) mostrou que apenas uma infusão intravenosa com o próprio sangue de cordão é capaz de melhorar a conectividade no cérebro e a função motora de crianças com paralisia cerebral.

O estudo conduzido pelo grupo foi caracterizado como um ensaio clínico fase 2 (os ensaios clínicos – em humanos – vão da fase 1 à 4, sendo as duas últimas, fases de aprovação), randomizado (distribuição dos pacientes em grupos realizada de forma aleatória), placebo-controlado (grupo controle recebeu placebo, que é uma substância inerte e sem propriedades farmacológicas), duplo-cego (pacientes e as pessoas que administraram o tratamento não tinham conhecimento do que foi administrado a cada paciente), e incluiu 63 pacientes de 1 a 6 anos de idade diagnosticados com paralisia cerebral.

Em relação ao desempenho motor grosso, os autores mostraram que as crianças tratadas com o próprio sangue de cordão apresentaram resultados superiores do que os observados em crianças com idade e condição similares, e identificaram um efeito dose-dependente: o grupo de crianças que recebeu o próprio sangue de cordão contendo maior dose de células (pelo menos 20 milhões de células nucleadas por quilo de peso corporal) apresentaram melhorias significativas na função motora avaliada um ano após o tratamento, quando comparado ao grupo de crianças que recebeu placebo (grupo controle) e ao grupo de crianças que recebeu o próprio sangue de cordão com menor dose de células (menos de 20 milhões de células nucleadas por quilo de peso corporal).

O efeito dose-dependente também foi evidenciado no exame de imagem por ressonância magnética (MRI), onde o grupo de crianças que recebeu maior dose de células apresentou um aumento significativo na conectividade encefálica (incluindo a conectividade entre células nervosas presentes em regiões cerebrais responsáveis por funções motoras) em comparação ao grupo que recebeu menor dose de células. Esses resultados sugerem que as melhorias nas funções motoras avaliadas no estudo são consequência do aumento ou formação de novas conexões nervosas induzido pelas células do sangue de cordão administrado.

De acordo com os autores, os achados do estudo têm implicações importantes no tratamento de crianças com paralisia cerebral, e devem ser explorados em pesquisas futuras. Desta forma, o próximo passo do grupo de pesquisa da Dra Kurtzberg é estudar a segurança e a eficácia do sangue de cordão alogênico (de outra pessoa, como por exemplo, de um irmão), visto que nem toda a criança possui o seu próprio sangue de cordão armazenado em um banco de células-tronco. Para saber mais sobre as opções de armazenamento do sangue de cordão, clique aqui.

Ficou interessado no estudo? É só clicar aqui para acessá-lo na íntegra.