Estamos ensinando as crianças a contarem mentiras?
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Estamos ensinando as crianças a contarem mentiras?

Mentira, por definição, é qualquer ato intencional que tenha a função de fornecer informação errada ou, então, a ocultação da verdade para outra pessoa.

Quando se trata de crianças, o comportamento de mentir já pode ser notado por volta dos 4 anos de vida.

Porém, uma pergunta cabe neste momento: será que não estamos influenciando as crianças a mentirem?

Neste artigo, fazemos uma reflexão sobre o papel dos pais neste assunto. Boa leitura!

Lições sobre mentir

Segundo Victoria Talwar, professora associada do Departamento de Psicologia Educacional e de Aconselhamento da Universidade McGill, no Canadá, as crianças tendem a ser contadoras da verdade quando têm entre 2 e 3 anos.

Por volta dos 4 anos, todavia, a maioria das crianças mente para evitar algum tipo de problema. Essa “mentira social” desenvolve-se mais ou menos na mesma época em que a empatia também evolui.

Para as crianças, não basta ouvir dos pais que é vital dizer sempre a verdade, ou que a honestidade é um dos principais valores da humanidade. Se isso não é acompanhado de atos que ratifiquem essa posição, as crianças recebem uma mensagem confusa.

Por exemplo: imagine um casal que tenha um filho. O telefone de casa toca, a mãe atende e diz que, do outro lado da linha, tem uma pessoa querendo falar com o pai.

Se o pai não deseja falar ao telefone, ele pede para quem atendeu dizer que ele não está em casa – unicamente para se livrar desse “problema”.

Isso, no entanto, acaba mostrando ao filho que mentir é uma saída para não precisar fazer aquilo que não se deseja.

Quando as crianças vêem algum adulto mentindo, a mensagem implícita que fica é de que mentir é bom.

Então, o que fazer?

Obviamente todos nós queremos criar crianças honestas, mas às vezes nos orgulhamos quando elas contam uma mentira educada para não ferir os sentimentos de alguém.

Um exemplo disso? Quando seu filho ganha um presente que não gosta – um clássico par de meias, por exemplo. Você possivelmente já pediu para ele afirmar que gostou, mesmo que, claramente, isso não seja verdade.

Criar filhos honestos, mas também socialmente adaptados e sensíveis aos sentimentos dos outros, é um grande desafio para os pais.

Por isso, é essencial ensinar a honestidade de uma forma que potencialmente ajude os outros, ao invés de trazer prejuízos.

Essa é a “honestidade estratégica”. Trata-se de ser honesto sem ferir os sentimentos da outra pessoa. No exemplo citado acima, seria elogiar o ato de ser presenteado, e não focar-se no presente em si.

Desta forma, ao receber o par de meias, oriente a criança a encontrar características agradáveis e honestas sobre o presente. Ao invés de ela mentir e dizer que amou o presente, ela pode dizer que gostou da cor, ou que achou o tecido macio.

Afinal, quando o seu filho faz um desenho rabiscado, você não diz que o desenho dele é feio, certo? Você observa os detalhes do desenho, e pode elogiá-lo pelo jeito que usou uma determinada cor, por exemplo.

Além dessas orientações, conheça 3 dicas importantes que, de acordo com pesquisas, estimulam a honestidade em crianças:

1 – Pedir à criança que prometa ser honesta antes de questionar algo aumenta a probabilidade dela falar a verdade;

2 – Punições severas podem tornar as crianças mais mentirosas. Para encorajar a criança a ser honesta, reconheça quando ela contar a verdade sobre algo errado que ela fez, e mostre que você valoriza a honestidade dela;

3 – Contar a história do “George Washington e a cerejeira” inspira a criança a ser mais honesta.

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