Adolescência tardia: transição pode ir até os 24 anos. O que mudou?
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Adolescência tardia: transição pode ir até os 24 anos. O que mudou?

Você já deve ter reparado que, a cada ano que passa, os jovens demoram mais para sair da casa dos pais.

Enquanto antes era normal que um jovem de 25 anos morasse sozinho ou já tivesse constituído família, hoje em dia, nessa idade, é mais provável que ele more na casa onde cresceu.

Por que isso vem acontecendo? O que é a adolescência tardia e como ela influencia na vida dos jovens adultos?

Mudanças culturais

Por muito tempo, a ideia difundida era que a adolescência ia até os 19 anos. No entanto, um estudo mostrou que essa fase pode se estender até os 24 anos. É a chamada adolescência tardia, um prolongamento que acontece devido a diferentes fatores.

Um dos fatores atribuídos é o aumento da expectativa de vida. Podemos pensar em como as pessoas vivem mais nos dias de hoje do que no começo dos anos 90, por exemplo. Desta forma, faz sentido que o período da adolescência dure mais tempo.

Quanto a fatores biológicos, um estudo publicado no conceituado periódico The Lancet Child & Adolescent Health apontou que o cérebro continua se desenvolvendo como na adolescência depois dos 20 anos, o que significa que, biologicamente, essa fase não acaba aos 19.

Porém, a adolescência tardia ainda é mais uma questão social do que biológica. As mudanças no mercado de trabalho influenciam muito: ter ensino superior completo já não é mais o suficiente, e o período de estudos acaba se estendendo por anos, impossibilitando os meios financeiros para comprar ou alugar uma casa ou apartamento.

Também se especula que o modo como os pais tratam os filhos esteja influenciando na adolescência tardia.

Muitas vezes, a culpa dos pais por não poder passar tanto tempo presente é compensada com o excesso de liberdade dos filhos. Isso pode influenciar no amadurecimento dos jovens adultos e levar à demora para começar a assumir responsabilidades da vida adulta, aumentando o sentimento de frustração quando são obrigados a fazer isso.

Esse amadurecimento, porém, é necessário para que o jovem adulto aprenda a encarar o mundo sem se sentir tão frustrado. Por isso, é importante que os pais saibam como lidar com a adolescência tardia.

Como lidar com a adolescência tardia?

Em muitos casos, os filhos ficam morando com os pais por mais tempo e acabam sendo tratados como adolescentes – sem responsabilidades da vida adulta e com muita condescendência. Isso cria uma falsa sensação de poder: já que ele não vê consequências dentro de casa, acredita que pode fazer qualquer coisa.

Por isso, a melhor forma de lidar com a adolescência tardia é fazer com que seu filho assuma responsabilidades e enfrente compromissos e situações com atitude e coragem. Se até crianças podem ter responsabilidades, como guardar seus brinquedos e arrumar a cama de manhã, por que um adolescente não teria?

As responsabilidades devem aumentar de acordo com a idade e as possibilidades do filho. Mesmo que seu filho adulto esteja desempregado, ele deve ajudar com os afazeres da casa, por exemplo.

Além disso, é essencial que ele saiba as condições financeiras da família. Conversem sempre sobre o orçamento da casa, sejam honestos quanto à situação econômica e não permitam que o filho exceda os limites dos gastos enquanto depender financeiramente dos pais.

Quando ele tiver renda própria, fale sobre economia e, se for possível e/ou necessário, converse para que ele assuma algumas contas da casa.

Ensinar a ser responsável é algo que os pais podem fazer desde a infância e que deve se estender por toda a adolescência, seja ela tardia ou não. Assim, quando seu filho sair de casa, ele estará mais preparado para viver a fase adulta.

A leitura ajuda os jovens a entender essa fase, e pode ser uma maneira de se conectar mais com seu filho. Veja nossas dicas de livros para adolescentes!